Ele tem 35 anos de carreira.

Estilista conta como transformar peças com materiais simples em artigos que pareçam de luxo.

Fantasias são pensadas com materiais mais acessíveis Arquivo Pessoal Criar fantasias luxuosas a partir de materiais simples.

Esse é o desafio de Manuel Gonçalves, de 53 anos.

Com 35 anos de carreira e 32 de ateliê, o estilista de Santos, no litoral de São Paulo, participa desde cedo do Carnaval e, todos os anos, precisa usar a criatividade para gastar pouco e colocar lindas fantasias na avenida.

Por ter muito tempo de experiência, Manuel é requisitado por muitos carnavalescos que confiam no seu trabalho.

Ele tem um processo diferente de criação para entregar as fantasias.

O estilista já desenha as roupas pensando em todos os custos e possíveis substituições.

“Sou amigo de muitos carnavalescos, então, eu tenho liberdade de desenhar e pensar em toda a fantasia, desde o corpo da modelo até no quanto tenho para investir.

Essa criação é a chave da peça acessível”, comenta. Segundo ele, é possível reduzir o valor em 50% apenas substituindo os materiais.

"Já fiz uma fantasia com fundo de garrafa pet, mangueira conduíte e vários pedaços de plástico.

Era espacial, então, fiz o fone, pintei de prateado e ficou com o resultado muito bonito na passarela, isso sem muitos gastos.

É muito difícil ter o dinheiro necessário para uma fantasia luxuosa, por isso, precisamos criar.

É tudo do lixo ao luxo”. Fantasia feita com canudos recicláveis e capacete de obras antigo faz parte do acervo do estilista Arquivo Pessoal Em um dos carnavais, ele criou uma fantasia feita com canudos e um capacete de obra usado.

Manuel conta que todo o trabalho manual de recuperação transforma a peça em nova.

De acordo com o estilista, custear a fantasia com material original pode sair pelo dobro do valor.

Ele também explica que as penas utilizadas nas fantasias podem ser muito caras.

O faisão, segundo ele, é a mais luxuosa, e pode ser substituída por uma de capim metálico, de acetato ou capim barba-de-bode. “É tudo questão de substituir e saber as técnicas certas”, esclarece.

Para o estilista, que fornece fantasias para Nova York, saber transformar um material é essencial e faz a diferença na hora de conquistar um espaço entre carnavalescos e passistas. Manuel junto com passistas e fantasias que criou Arquivo Pessoal Começo de carreira Para Najara Camargo do Carmo, rainha da escola União Imperial, o custo da roupa no início da carreira é um dos principais problemas para passistas.

"No início foi bem complicado.

Eu comprava roupas que já tinham sido utilizadas, para economizar", declara Najara.

A rainha da escola de samba fala que, com o passar dos anos, a situação melhorou.

Porém, as substituições continuam sendo muito importantes, não só pelo valor, como pela leveza da roupa.

"O material alternativo é uma opção boa porque pesa menos também.

Então, trabalhar com essas possibilidades é ótimo sempre, seja no começo da carreira ou ao longo dos anos", conta a rainha. Najara Camargo desfilando pela União Imperial Arquivo Pessoal